Nascido em vinte e seis de agosto de mil novecentos e oitenta e um na cidade de Curitiba do estado do Paraná situado na República do Brasil. Filho de pais casados, irmão de duas irmãs mais velhas, sendo assim, ele, o caçula da família. As duas irmãs já casadas, uma delas, a do meio, com dois filhos. Ele, na procura, ou não, da menina ideal. Algumas já cruzaram o seu caminho, das quais não interessam no momento, mas nenhuma delas conseguiu com que ele se encontrasse. Na verdade, ele mais pensa na hipótese de uma vida solitária.
Ele ainda não tem a mínima idéia do que quer da própria vida. Já tentou a informática, já tentou o design, já tentou a teologia, já tentou as ciências sociais, em nenhuma delas ele se encontrou. Até aqui já vemos um paralelo, ele não se deu com nenhuma mulher, ele não se deu com nenhuma profissão; ou é ele ou tem alguma coisa muito errada nisso tudo. Ele já trabalhou em algumas coisas, mas na maioria do tempo e até agora, vive do dinheiro do papai e vive sob as saias da mamãe.
Quieto no seu canto, sem falar muito, sem dar muito sinal de vida, sem fazer muita diferença. Assim foi desde o princípio. Porém, ele tem os seus dias, ele tem os seus momentos em que lhe dão liberdade e ele abre as suas asas e voa. E ele não voa pouco, voa alto e longe. Na verdade ainda esperam muito dele, mas ele ainda não pode mostrar do que é capaz.
Gosta de cinema, de ler, de escrever, de observar o mundo. Pode ficar por um dia inteiro sem falar uma única palavra. Pode se entreter e se deliciar com um filme ou com um livro. Mas, é muito exigente, não é qualquer filme, nem qualquer livro que o faça feliz. Gosta de fotografar, de pintar, de coisas belas. É amante das artes. Se quiser fazê-lo feliz, leve-o a um museu, ou a uma exposição qualquer. De fotografias, de pinturas, de esculturas... ele gosta de tudo. Tudo o que se relaciona ao belo, ao mundo das artes. Não gosta de nada o que seja comum. Não gosta do dia-a-dia. Odeia a rotina. Odeia um dia após o outro. Pra ele um dia tem de ser diferente do outro. Talvez por isso não tenha encontrado a sua profissão. Talvez por isso não tenha encontrado a sua garota.
Por mais que seja quieto, observador, tímido; ele odeia ficar parado. Ele adora qualquer tipo de esporte. Qualquer coisa relacionada a correr, a ter que ser rápido, ágil, forte. Desde que o faça suar. Desde que ele tenha que se esforçar para atingir um objetivo. Ele aceita qualquer proposta. E não é fraco na queda. Derrotá-lo? Uma tarefa difícil. Porém, ele gosta de jogar no time mais fraco. Até hoje não entendo o porquê! Gosta de calor, gosta de sol, gosta de praia, gosta de campo, gosta é de liberdade. Odeia ficar preso a algo, a alguém, a algum lugar. O seu lugar é o mundo, o mundo é o seu lugar.
Para falar um pouco mal... Tem dias que você não consegue nada com ele. Tem dias que ele não fala, que ele não reage, que ele fica preso ao seu próprio mundo. Ele não sabe o que quer. Ele é perdido. Ele é fraco. Ele é um rapaz solitário. Ele é esquisito. Eu, por mais que tento, não o entendo; tento pôr aqui um pouco do que eu consegui extraír com muito suor, pois, não foi fácil conseguir tirar um pouco deste ser preso em si mesmo. Envolvido dentro de si. Amarrado, trancado a sete chaves. Quem quiser descobrí-lo que o tente...
Pergunto a ele qual o sentido da vida. Ele me responde que ainda respira por um único motivo, por Deus. Se não fosse por Ele já teria desistido desta vida. Vejo-o indo à igreja. Não apenas uma vez por semana, mas algumas vezes. Vejo que é lá que ele encontra forças para continuar a viver. Ainda não entendi direito como é que é esse negócio de Deus, de Jesus Cristo, de vida eterna e todas essas coisas de crente, mas, ele disse que vale a pena. Ele, por mais que seja estranho, acendeu em mim a curiosidade a respeito deste assunto, quem sabe um dia...
Ele diz que ama a mãe. Ama a família. Ama o seu país, mesmo no momento estando longe dele. Ama os amigos. Ama a Deus... Diz que a coisa mais importante nessa vida é o amor. Porém, ele ressalta o quanto vivemos longe deste amor, que não é um amor material, nem mesmo sexual, mas um amor verdadeiro e sincero; amor este que nos faz abandonar a própria vontade para fazer a vontade do nosso próximo. Amor este que se alegra antes do sorriso no rosto do vizinho ao sorriso no seu próprio. Ele sabe que ainda está longe deste amor, mas tenta, a cada dia, chegar mais perto dele.
Ele entende o mundo e as pessoas como ninguém. Por isso, é um rapaz tão triste, por ver como as pessoas lidam com este mundo. Ele quer, com todas as forças, fazer algo para melhorar a vida destas, porém, não sabe como. Anda à procura; da sua função, do seu lugar, da sua felicidade...
Sei que este é um texto escroto, a respeito de uma vida, de um ser muito complexo. Se o quiser entender, fale, veja, procure o ator principal. Sei que uma hora é pouca, sei que um dia é pouco, sei que uma semana, um mês, até mesmo um ano é pouco para entender este menino, mas, quem o quer tem a oportunidade. Quem sabe não seja você que ele esteja procurando todo este tempo...